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Logo de imediato, percebemos a inovação que os músicos da Greyskull Chapel trazem no som da banda, misturando tendências que variam entre a lisérgica fase dos anos 70, repassando pelo peso do metal tradicional dos anos 80, com muitos acordes e quebradas do Grunge dos anos 90.

Isso tudo sem deixar de fora as modernidades do metal atual. Difícil rotular um estilo único a esses músicos. Mesmo a música sendo tocada de forma direta e objetiva, fica nítido que são extraídas várias influências de todas as gerações do metal.
Uma grande ousadia e inovação da banda Greyskull Chapel misturar vários estilos e criar uma identidade única. É muito complicado e pode gerar grandes críticas a banda, mas eles foram perfeitos na criação de cada música e de todo o contexto do trabalho.

A banda é formada pelos músicos Arthur Zarpelon (Voz/Guitarra) , Douglas Oliveira ( Bateria), Daniel Ribeiro (Guitarra / Voz) e Thiago Veiga ( Baixo), oriundos de São Paulo. Esses caras estão mais vivos do que nunca e pelo trabalho apresentado em “Burden of Choice” mostraram que estão na cena para inovar e manter o feeling e peso do metal nacional.

Ao iniciar o play da primeira faixa “Problématique”, podemos dividir a faixa em duas partes, sendo a primeira parte bem progressiva e quebrada. Ao iniciar a música, o vocalista Arthur transmite sua ira à forma de cantar, destilando raiva em sua voz. Ele se destaca logo nos primeiros acordes com uma música que tem passagens de velocidade e cadência. Na segunda parte, a banda quebra a música com uma cadência feita apenas pelas guitarras. Um ouvinte despreocupado pode até imaginar que outra música está iniciando. Nessa segunda parte, a música se torna mais reta e direta, mas sem perder o peso e feeling dos caras.

A faixa “Altered Beast” automaticamente traz o sentimento de nostalgia em uma pegada grunge com stoner. A música é enérgica, com duas linhas de voz muito bem distribuídas em toda a sua extensão. Com influências diretas de Silverchair e Soundgarden, a música parece ter sido tirada direto dos áureos anos 90.

Demonstrando logo nas primeiras músicas que manter a mesma receita não é a parada desses caras, na faixa “Lullaby”´ eles inovam e mudam totalmente o andamento da música, provando que ao ouvir Greyskull Chapel você não irá ter o mesmo do mesmo.

Mais cadenciada e depressiva, essa faixa chama atenção pelo conjunto de criação da harmonia, com belas passagens das guitarras que ora simplesmente dedilham e ora pesam com riffs densos. Outro ponto forte é a perfeita harmonia na cozinha da música. Douglas Oliveira ( Bateria) simplesmente detona nessa faixa, muito disso por conta do excelente baixista Thiago Veiga que permite que ele tenha liberdade durante algumas passagens da música.

“A Blazing Rage” é pesada e direta, com um andamento mais objetivo. Essa música não tem firulas e nem frescura. Ela se apresenta como uma pancada bem ao estilo Doom Metal. Com solo mais voltado ao Metal, a banda mantém sua linha de variações a cada faixa.

Uma música contagiante, com várias quebradas e variações dentro da estrutura musical, temos a ótima “Decay”. A rapaziada demonstra toda sua técnica ao elevar os estilos , seja ele de intensidade e técnica ou apenas bateria e baixo segurando a base. Música recomendada para se pegar a estrada.

Um pequeno ponto negativo fica por conta da faixa “Yohannes”, muito cadenciada e com apelo comercial, destoa de todo o álbum. Em certos momentos, parece até ser outra banda. Apesar de mostrarem grande técnica, os músicos deixaram a faixa arrastada e cansativa.

A penúltima faixa do álbum “Reroute” retoma àquela pegada de experimentalismo da banda. A faixa pode ser considerada a mais setentista de todo álbum, com slides e viagens criadas com a guitarra. Ela traz várias atmosferas no andamento da música. O vocal inova com alguns berros bem agressivos. Uma ótima música com andamento único e muito complexo. Vale repetir o play.

Encerrando esse grande álbum, “Unlighten” é uma faixa divida em partes. Primeiro, temos a lisergia, depois o peso insano das guitarras e a bateria e o baixo constroem pontes que variam com extrema qualidade nos momentos de cadência e velocidade. Mais lisérgica que as anteriores, a banda encerra o álbum com uma pedrada. Aviso aos navegantes: ouvir Greyskull Chapel ingerindo alguma substâncias lisérgicas pode causar sérios danos a sua sanidade mental!

Em ambas as composições, as variações dos arranjos são constantes, o que mostra que não gostam de ficar na mesmice. Um Ótimo “Full´.

Nesse trabalho, você irá encontrar vários estilos, a qualidade é impecável, a banda desenvolve uma fórmula única no Brasil e com certeza, o reconhecimento está surgindo.